segunda-feira, 6 de julho de 2015

Memórias: Meu encontro com a filosofia

Este foi um texto de um trabalho da disciplina de Teoria e Prática Pedagógica, que resolvi compartilhar com quem curte filosofia!!!




            Meu encontro com a filosofia foi antes de tudo um encontro comigo mesma. Um encontro que possibilitou que as ideias, pensamentos e questões que vagavam pela minha mente, tomassem forma, alinhamento e sincronia, formando uma espécie de diagrama linear e organizado. Em outras palavras posso dizer que percebi que as minhas inquietações não eram tão particulares assim e nem tão eventuais. Minhas indagações já eram compartilhadas em outros tempos por outras pessoas que se tornaram então filósofos, assim como eu desejo me tornar, agora por metodologia acadêmica e não só por mero empirismo ou vontade de pensar por pensar, sem propósito ou finalidade.
        Sou uma pessoa naturalmente apaixonada pela sabedoria. Depois que conclui a graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, percebi que o ensino superior não é um ponto final do conhecimento. Sempre busquei me atualizar, pois penso que é inerente à prática profissional. Considerando a minha formação e responsabilidade enquanto profissional e cidadã, comecei a escrever um livro, o qual lancei no mês de junho sobre a história da minha cidade: Candiota. Esta oportunidade fez com que eu começasse a me apaixonar por história. Percebi que as pessoas que conhecem a história e como o mundo se desenhou, me exercem fascínio e admiração. Conclui então uma especialização através do Polo de Hulha Negra em 2012 e fiquei na espera de ser oferecido um curso de graduação. Então no primeiro semestre de 2014 foi oferecido o vestibular para Licenciatura em Filosofia. Na hora da publicação das inscrições para o vestibular nem pensei duas vezes, fui tomada pela excitação em voltar a estudar, e eis que era a filosofia, tendo ainda um atrativo essencial que era a instituição de ensino: a Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
         Descobri na filosofia uma forma de melhor me relacionar comigo, saindo de uma solidão existencial para adentrar em um mundo de perguntas compartilhadas. Compreendi através dos mestres que mais importante do que saber responder é saber perguntar. Percebi, portanto, que as respostas que eu buscava são problemas filosóficos seculares, milenares e que perpassarão um tempo à frente ainda sem pontos finais. Identifiquei que na verdade tudo o que me indignou como jornalista, como ser humano, mulher e cidadã, não eram questões triviais e sim, temas que ganha sentido em minha peregrinação pela filosofia. Tudo que a minha visão religiosa oportunizou alcança sustentação filosófica.
             Eu já filosofava mesmo antes de saber o que era filosofar. Aos 12 anos ficava a contemplar as estrelas ouvindo Lady In Red e demais canções do Goodtimes, através do meu velho Walkman que também era vermelho, cor contida no título da música que sequer eu conhecia a tradução. Anos mais tarde percebo que sempre busquei refúgio em meus pensamentos, buscando criar meus espaços solitários de reflexão. Hoje percebo que a vida vai nos encaminhado para as próprias vocações e cá estou a filosofar sobre meu encontro com a filosofia.
             Vivo com a filosofia uma complexidade de sentimentos e sensações. Aceito que perguntas não têm respostas, mas anseio por conclusões, definições e conceitos. Não me satisfaço com aprendizados vagos, com entendimentos superficiais. Não quero uma formação para um mero avanço de carreira ou titulação. Quero a filosofia para viver e bem viver e para sair da solidão intelectual e academicamente ser uma profissional que possa contribuir aliando a experiência ao conhecimento.
  Busco uma compreensão horizontal dos temas filosóficos e me arrisco a escolher verticalmente o que me provoca o brio. Ou seja, sei que seria pretensão apreender tudo com profundidade, por isso seleciono os conteúdos que mais me instigam interesse. Desafio-me a cada conteúdo, a cada filósofo, quando por ora me sinto privilegiada e grandiosa com o que estou aprendendo e, por outrora tão pequena e insatisfeita com o que não estou compreendendo. Resolvo e crio dilemas morais, intelectuais e éticos a cada frase, pensamento e ponto final. Dilemas estes que talvez nunca terão um ponto final e sim reticências.
   Acredito muito na intuição como uma aliada da práxis profissional. Permito-me refletir os pensamentos que me veem ao amanhecer quando ouço o cantarolar dos pássaros que fazem coro em minha janela. Por esta janela vejo o meu mundo e as mesmas estrelas que via quando era adolescente, mas agora eu já tenho a maturidade de saber que são apenas astros iluminados e que meus pensamentos não são vãs filosofias.
            Não sei aonde a filosofia irá me levar, mas sei onde ela me trouxe. Trouxe-me a esse mundo que na verdade experimentalmente eu já vivia: o mundo da contemplação, da intelectualidade e dos pensamentos vivos e borbulhantes. O mundo das pessoas que não aceitam exclamações e querem respostas às interrogações. A filosofia está me proporcionando aperfeiçoamento em todos os aspectos. Proporcionando-me refletir cada vez mais sobre os até então vulgares fatos das políticas e das relações humanas, em especial as relações de poder.

            Também não sei se após formação inicial continuarei a explorar um tema filosófico do qual tenho afinidade, se lecionarei, se escreverei sobre filosofia, ética, política, sociedade. Só sei que agora meu desejo é caminhar para alcançar mesmo que minimamente a sabedoria. A filosofia nesse momento segura o meu coração e ilustra minha alma. Faz-me sentir capaz, viva e ativa. Faz com que eu possa exercitar o que tanto amo: o conhecimento e a escrita. Em especial a filosofia como diria um dos meus filósofos favoritos, Severino Boécio, vem como uma consolação. Mas personifico ela não maltrapilha como ele o fez na cadeia e sim, como uma linda mulher de vestes azuis da cor do céu que me intui e inspira a cada composição textual. 

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