terça-feira, 30 de junho de 2015

O “ser careta” na atualidade

       



      Ser careta até pouco tempo era ser aquele que não fumava maconha ou que não tinha uma postura sexual mais libertina. Hoje em dia o termo assume outra significação e ser careta é ser aquele que é arraigado a alguns padrões. Bom, eu sou careta mas ao mesmo tempo sou mente aberta. Isso é possível sim.
        Sou careta porque nos compromissos profissionais costumo chegar antes da hora marcada e antes de muitos baterem o cartão. Por que na faculdade sempre fiz e ainda faço os trabalhos em dia sem colar da internet. Sou careta porque coloco o sinto de segurança quando entro no carro e porque jogo lixo na lixeira ou guardo na bolsa. Porque devolvo o que me emprestam antes de me pedirem de volta, porque costumo (salvo algum problema financeiro de força maior) pagar minhas contas em dia, isso inclui os impostos municipais. Dou lugar para uma pessoa mais idosa, debilitada ou gestante sentar e ajudo a todos que me procuram. Sou careta porque acredito no casamento, na fidelidade. Porque não tenho o hábito de mentir ou trapacear. Porque assumo meus sentimentos e defeitos.
         Sou careta porque pra mim os maiores valores são a família e os amigos. Porque pratico uma religião e porque leio acima da média de muitos. Sou caretona porque nunca experimentei drogas e nunca fiz sexo por dinheiro ou cargo. Mas sou mente aberta porque não condeno ou julgo ninguém que tenha feito. Penso que a liberdade – apesar de paradoxal – nos permite fazer o que quisermos de nossas vidas com nosso corpo e com nossa expressividade.
         Sou mente aberta porque não penso que uma religião é melhor que a outra ou um time de futebol ou um partido. Cada instituição estabelecida tem suas razões de ser. Sou mente aberta porque aprendi que nada pode ser generalizado. Dizer que um time é ruim, um canal de TV é ruim é uma ignorância, porque o ruim pra um pode ser bom pra outro. Sou mente aberta porque não divido os seres humanos em gordos e magros, heterossexuais e homossexuais, negros, polacos ou brancos. Sou mesmo careta, por outro lado, em compreender a intolerância das pessoas para com o próximo. Sou careta por acreditar que a política pode mudar o mundo positivamente, enquanto para a maioria políticos são todos desonestos. Sou careta por acreditar que sempre há um ser humano atrás de uma maldade, que nada mais é muitas vezes que uma defesa.
         Sou careta porque gosta das músicas dos anos 80 e 90 e dificilmente me agrado dos hits da atualidade. Porque gosto de música gaúcha, nativista, pop rock, rock e música clássica (ópera). Mas sou mente aberta porque acho que todo mundo tem direito a gostar de pagode e funk, se vende é porque tem quem goste e não temos nenhum direito de chamar um artista ou música de lixo.
          Sou careta porque não incluo no vocabulário escrito as palavrinhas da moda (#partiu, #tátendo, #sobreontem, #sqñ, #boralá), mas entendo perfeitamente o que elas querem dizer e acho legal que os mais jovens tenham a capacidade de se expressar.
           Sou careta porque ainda tenho muito a aprender sobre a língua portuguesa e por ela tenho o maior respeito. Já critiquei quem escreve errado, mas hoje penso que temos que respeitar as pessoas que tiveram menos oportunidade. Temos amigos no Face que não puderam estudar e recentemente estão se alfabetizando ou exercendo o hábito da leitura e escrita. Por isso temos que ter a mente aberta para aceitar toda a forma de expressão, é o que a pessoa consegue fazer naquele momento, e se consegue passar o recado azar que tenha erros ou acertos, falte acento ou se troque os “r” ou “s”, ela não está escrevendo um artigo científico (que mesmo assim pode ter erros) e sim externando alguma coisa que a moveu em uma rede social. Tenhamos tolerância e mente aberta para com os erros dos outros, seja de português ou de vida.
           Sou careta em minhas crenças mas mente aberta para acreditar que nada é verdade absoluta ou pronto e acabado. Sou careta por acreditar que o caminho certo é o do bem e da honestidade e não acreditar que o “mundo é dos espertos”. Sou mente aberta, por outro lado, para compreender que cada irmão encontra-se em um estágio e que tudo que se faz entra na “cadernetinha de Deus” e que sempre responderemos por nossos atos.
            Bom, agora escrevendo não sei mais se sou careta ou mente aberta. E não sei o que é bom ou o que é ruim. Aff...sociedade cheia de esteriótipos, de prejulgamentos, onde cada um deveria cuidar de si e do planeta e cuidam mais do próximo no sentido pejorativo da palavra. 

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