terça-feira, 28 de julho de 2015

Sobre “fazer alguma coisa” em vez de criticar



            Ouvimos em diversas ocasiões ao realizarmos alguma crítica em uma conversa ou em uma rede social, a resposta de que deveríamos fazer alguma coisa em vez de criticarmos. Quem assim o diz, na verdade quer dizer que devemos levantar da cadeira e ir a luta em vez de escrevermos, falarmos ou postarmos algum comentário sobre o que vem nos incomodando nos mais variados contextos da sociedade. Ao analisarmos logicamente este enunciado, podemos observar a invalidade desse argumento e a fragilidade das premissas. Em primeiro lugar é um afronto à liberdade de expressão, pois ao menos de forma legitimada, temos em nosso país a democracia que nos permite – dentro dos limites do respeito e do bom senso – falarmos e escrevermos o que quisermos. Em segundo, o que é fazer alguma coisa? É pegar uma bandeira e ir às ruas? É vestir uma camiseta? É protestar contra o problema da água no mundo ficando com sede ou fazer justiça com as próprias mãos como temos assistindo? Enfim, essa afirmativa é uma aberração à intelectualidade e um argumento frágil, dito por quem desconhece o poder da palavra e a força das ideias. Esse pensamento é resultado da nossa sociedade mecanicista, operacionista e instrumentalista, onde o fazer torna-se mais importante que tudo, onde o ter é mais importante que o ser, resultado de uma funcionalidade capitalista que desconhece os aspectos intelectuais mais relevantes do ser humano que é a expressão, a comunicação e a filosofia, vetores das verdadeiras e mais consistentes transformações.
           Se perguntarmos sobre a gênese de toda a história e humanidade, cada qual tenderá a fazer uma apologia a sua área de formação: O professor dirá que é a educação; o engenheiro dirá que são as invenções; o advogado dirá que são as leis e a justiça e assim por diante. Mas agora peço que antes de continuar a ler este texto, faça sua própria defesa do que é mais importante que tudo isso, deixando de lado, no entanto, a transcendência religiosa, ou seja, não falaremos de Deus nesta questão ou que Ele é o mais importante de tudo.
            Tudo o que acontece no mundo tem uma só fonte una e inquestionável: a ideia. A ideia como resultado do pensamento, encontra-se no cerne de toda atividade humana. Tudo, absolutamente tudo, o que se materializa no mundo nasce no pensamento de alguém. Portanto, se relegarmos a importância e influência das ideais e das palavras, incorremos em uma ignorância tamanha que jamais nos levará ao esclarecimento. As ideais movem o mundo desde os mais remotos tempos. Toda revolução começa no campo das ideias e das teorias. Independentemente da fonte e origem que nossas crenças atribuem a ela (a ideia), é ela, que antecede a qualquer bem, ato, invenção, criação ou transformação no campo material e intelectual.
         Se conhecermos mesmo que de forma elementar a história da humanidade, perceberemos a influência das ideias nas mais variadas guerras e revoluções. É claro que essa influência muitas vezes é negativa, mal colocada e também mal interpretada. A influência das ideias religiosas e filosóficas são refletidas até a contemporaneidade o que parece paradoxal frente a nossa sociedade mecanicista. Mas, mesmo o ato mecânico, precede de uma ideia que o formatou.
           A comunicação é fonte essencial da perpetuação das ideias. A imprensa eterniza o pensamento. Tudo que é escrito influencia de alguma forma, no entanto o que é apenas pensado e não compartilhado é como uma luz com potencial que não se acende. Jornalistas e filósofos no decorrer da história, iniciaram importantes e decisivos eventos. Na modernidade, por exemplo, inspiraram movimentos como o Iluminismo, Renascentismo e Revolução Industrial, entre outros tantos eventos consideráveis na linha do tempo do mundo em que vivemos. No entanto, poucos ou nenhum deles empunhou bandeira, cartaz e foi às ruas, porém, na força de suas palavras, motivaram quem o fizesse. Quem escreve faz alguma coisa sim e contestar esse argumento é desconhecer a história e a forma pela qual o próprio mundo se desenhou.
         Pragmatismo é sim fundamental. Em nenhum momento aqui digo que não se faz necessário engajarmo-nos em movimentos e causas sociais, entretanto, penso que cada um doa o que lhe de melhor possui. Se é a força do grito nas ruas, o mãos a obra ou as palavras silenciosas de um texto, tanto faz, o importante é contribuir e se contribui muito sentado em uma cadeira desde quando do outro lado tinha o papiro, a máquina de escrever ou agora o computador. Quem escreve influência de maneira imensa uma série de acontecimentos, por isso a palavra torna-se uma arma que infelizmente às vezes é mal usada e letal. Expressar-se, no entanto, não nós dá o direito de ofender, blasfemar ou caluniar quem quer que seja. Porém, observar de forma sociopolítica um acontecimento é um direito de qualquer cidadão pode exercer com respeito e que qualquer pessoa a qual se refira, pois todos nós estamos sujeitos à críticas no que fazemos e se levarmos para o lado pessoal incorreremos em uma ilusão ao pensamos que poderemos agradar a todos. Isto é impossível e todos somos sujeitos a erros e observações a respeito do nosso trabalho e conduto. Ressalvo no entanto, que características físicas e pessoais, ou seja, aquilo que independe da nossa escolha, se for alvo de críticas proveem de pessoas na qual devemos apenas ter pena por tamanha ignorância e falta de esclarecimento.
            Ouvi de um amigo idoso um dia, que sentado e dependendo de muletas, era capaz de derrubar muitos que são capazes de correr como perdizes, apenas abrindo a boca. A palavra eleva ou rebaixa uma personalidade, um evento ou qualquer outro setor da sociedade. Se formos analisar, quando votamos em alguém nas urnas, estamos acreditando que essas sejam as pessoas que vão fazer alguma coisa para mudar alguma coisa.
           Apesar das críticas infundadas e muitas vezes vazias que são destinadas à mídia e aos jornalistas, a evidência é indiscutível: é através da mídia e muitas vezes da investigação de veículos de comunicação que são desvelados escândalos diversos, invenções valiosas e informações importantes. A comunicação social presta um serviço indispensável a sociedade e nem por isso, os jornalistas vão às ruas fazer passeata, carreata ou manifestos. Nos limites das paredes das redações pelo mundo afora, sentados em suas cadeiras, jornalistas, articulistas ou demais pessoas que escreve em conhecem o poder das palavras que digitam e as repercussões que podem causar são capazes de denunciar e desposar governos, máfias e ceitas.
             Assim como é inadmissível o desrespeito à comunicação é quanto aos filósofos. Como em todas as profissões certamente há os maus profissionais, mas aqui nos deteremos ao que se pensa ser o ideal do ofício. Ouvi recentemente um comentário de alguém afirmando que a filosofia se prestava a satisfazer egos e era indispensável. Uma outra ignorância de quem desconhece que tudo começa no campo das ideias. Os filósofos portanto, são justamente os que trabalham nesse embrião de tudo que a de vir no mundo: as ideias e os pensamentos. A filosofia é fundamental e está em todos os períodos históricos da humanidade e em todos os seres humanos. Mesmo sem nos darmos contas, estamos abordando questões filosóficas quando estamos diante de dilemas morais, questionando-nos sobre escolhas, arbítrio, felicidade, origem da vida e nosso papel no mundo. Academicamente portanto, assim como na comunicação, a filosofia analisa e problematiza tudo que há, com respaldo de ícones que citamos até mesmo sem saber direito quem são, tais como Sócrates e Platão. “Só sei que nada sei”, a frase que Sócrates encontrou no templo de Delfos, encerra a maioria das questões onde os porquês parecem infinitos.
           Mas voltando ao “fazer alguma coisa”, pergunto o que move as pessoas que na prática fazem? O que move os protestos, manifestos, ações sociais de caridade, solidariedade ou motivação?
          É lógico que tudo começou no campo das ideias! No pensamento dos envolvidos, a partir de alguma influência. Mas de onde vem essa motivação? Esse pensamento? De alguma leitura de um texto escrito por filósofo, sociólogo, jornalista, psicólogo ou qualquer cidadão comum com habilidade de externar em palavras as suas ideais. Na verdade, um único texto, livro, reportagem ou obra de qualquer espécie de um único autor, pode mover uma nação inteira. Então eu pergunto, isso não é fazer sua parte, não é “ir a luta”?



segunda-feira, 20 de julho de 2015

É possível viver sem amigos?


       Quando pesquisamos na internet frases sobre amizade encontramos uma dessas lindas como a da imagem onde vemos um cão e um gato abraçados. A frase é do filósofo Aristóteles, um ícone da filosofia antiga, estudado por muitos, desconhecidos por outros tantos. O fato é, que a amizade não é um sentimento moderno e sim, tem raízes tão profundas como a própria história do ser humano. Por isso hoje, 20 de julho, Dia do Amigo, resolvi adaptar e compartilhar este texto que escrevi ainda ano passado em uma disciplina da Faculdade de Filosofia. Convido agora que percebam a fascinante visão aristotélica sobre a amizade.

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         Em uma das principais obras de Aristóteles a Ética a Nicômaco conseguimos perceber o entendimento do filósofo sobre a amizade, philia em Grego. Aristóteles fala muito sobre a felicidade (eudaimonia) como finalidade (telos) da nossa existência, do nosso viver. Neste sentido, descarta os bens exteriores (fama, riqueza, nobreza). Percebemos que a felicidade é então uma atividade, uma atividade que não temos a posse desde o princípio da vida, mas que vamos executando, muito através dos hábitos e da virtude, do juízo da prudência e essencialmente, pela conquista dos bens instrumentais, que são os bens do corpo e os bens exteriores.
          Aristóteles afirma que a eudaimonia se consolida na cidade (polis), no convívio em comunidade e nunca isoladamente. O que quer dizer, que sozinhos jamais seremos felizes. Porém, este convívio em sociedade precisa ser aprazível, espaço no qual é possível exercer a atividade do bem, portanto, como exercê-la sem as pessoas? Então, são justamente essas pessoas que nos proporcionam, além das práticas virtuosas, a análise das ações. Torna-se mais fácil perceber no outro, acertos e falhas do que em si. Nos casos mais satisfatórios, o outro adquire uma característica de espelho que sugere nossas próprias mudanças e progresso intelectual e moral. Entretanto, o filósofo estagirita (da cidade de Estagira) destaca que essas possibilidades de fazer o bem ou de compartilhar virtudes, limitam-se ou até mesmo impossibilita-se, quando esse outro é algum desafeto.
Por mais que insista na importância do respeito aos familiares, aos mais velhos e aos mais sábios, Aristóteles compreende a limitação humana no tangente à aceitação dos erros dos outros, da compreensão e do próprio amor ao próximo. Por isso mesmo, é que considera condição essencial para a felicidade a de ter amigos.
Mas a amizade na visão aristotélica não tem as implicações vulgares como na contemporaneidade. É um sentimento muito mais afetuoso do que como o compreendemos. Um sentimento que relaciona as pessoas não só por respeito ou afinidade, mas essencialmente, por cumplicidade de pensamentos, baseado na virtude e num bem-querer recíproco, tão quanto maternal, onde a felicidade do outro se torna desejável na mesma intensidade que para si próprio.
Neste contexto, Aristóteles aponta ainda os diferentes estágios intelectuais como impeditivos para amizade. Pois considera o conflito de opiniões um espaço de discórdia e não de amor. Os amigos são necessários na prosperidade e na adversidade, pois auxiliarão na trajetória, eximindo-se assim de uma vida solitária e dura. O amigo torna-se tão referencial considerando-se como o outro “eu” do sujeito. O maior número de amizades então é muito bem-vindo e contribuirá ainda mais para o desenvolvimento e habitualidade das virtudes.
         Com efeito, podemos perceber que é da própria natureza do homem essa atividade política, sendo a philia a execução mais sublime dessa atividade, pois possibilita uma interação e troca, uma vida em comunidade onde é o único lugar possível de encontrar a eudaimonia.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Os porquês de um menino miserável




Certa vez um menino triste andava pelas ruas olhando as demais crianças brincarem com pipas, carrinhos e comendo muitos doces, pipocas e pirulitos. Com uma tristeza inconsolável e com os olhos lacrimejando por não entender o que com ele se passava, o menino tinha na vida apenas um par de tênis esfarrapado, camisa rasgada e calças manchadas. Seu lar era a rua. Os cabelos com aparência grotesca revelavam não a falta de higiene, mas sim, a falta de um local para que uma água cristalina pudesse se banhar.
         Não só o chuveiro lhe faltava, mas também a cama e a cozinha, enfim, um lar, onde pudesse apenas sentir o amor nas palavras de bom dia do pai e o carinho da mãe lhe preparando o café.
Assim, o menino ficou horas a admirar aquelas crianças e, mesmo jovem e imaturo tinha ideias na consciência que por oras lhe pareciam adultas e inexplicáveis. Por que comigo meu Deus? Por que elas podem ter um lar e eu não? Por que tenho que viver contentado com roupas maltrapilhas e sonhos impossíveis?
Até que um dia, a fome foi maior que a necessidade de existência e a morte lhe veio da forma mais primária, o menino morreu de fome e junto, morreram seus sonhos também.
Ao chegar no céu mal acreditou na recepção que teve: anjos tocavam uma música tão agradável como nunca tivera ouvido antes. O cheiro no ar era quase embriagante, pareciam rosas coloridas que riam perfume. Guloseimas e doces confeitados postos em uma mesa, dando-lhe a primeira ideia de pega-los e se alimentar.
Ainda surpreso com tudo aquilo que via e sem entender quase nada, sentou-se num canto e como se fosse por uma televisão viu novamente aquelas crianças com suas pipas e guloseimas, vivendo a vida que outrora ele desejou ter. Pareceu um filme, elas cresceram e não demorou muito, aquelas cenas confessavam os problemas que passaram a ter. Muitos tornaram-se adultos mesquinhos e desonestos. 
Seguindo confuso, um lindo anjo se aproximou e estendeu-lhe as mãos:
- "Venha comigo, disse, com palavras recheadas de ternura que passaram muita confiança ao menino".
Chegando a um lugar ainda mais lindo, o anjo disse-lhe:
- "Vá agora menino, pergunte por que com você? É a sua oportunidade". 
Então o menino enxergou algo que seus olhos nunca tivera visto, um ser enorme, que irradiava luz e amor, e logo fez a pergunta.
A resposta não demorou, então aquela criatura disse: 
- "Não importa a classe, o gênero, a forma ou a espécie da criatura, Deus criou o amor para todos, sendo os dóceis ou ferozes e ele sempre vai existir na tua vida. Se parecer-lhe dor, é porque será maior ainda do que aquele que lhe parece mel. Muitos rios parecem turvos, mas são tranquilos para o banhar, enquanto outros límpidos apenas são chamados a uma imensa correnteza mortal. O amor é o brilho da vida, está não nas coisas que encontramos ao nosso lado, ou ao redor, e sim dentro de nós. Amamos outra pessoa quando ela nos faz capaz de enxergar esse sentimento dentro do coração. Não te perguntes porquê não és amado, és sim, ao menos por uma pessoa neste mundo, a mais importante e especial: Deus. Quanto ao amor, não queiras encontrá-lo no afago de outrem se não és capaz de vê-lo nos teus próprios olhos. Estás neste mundo de provas e expiações para se tornar digno do amor e, se já consegues sentir no teu peito, um sentimento inexplicável, tenhas a certeza, Deus existe e está expresso na tua capacidade de desejar um bem infinito a quem adoras. 
Não pense que paixões te preenchem, elas são bálsamos para o corpo e não para a alma. Saberás a diferença enquanto estiveres ao lado de alguém sem vontade unicamente carnal. O amor é único, amas teus pais, amigos e a criatura que te acompanha da mesma maneira e intensidade, sem exageros ou fanatismos", concluiu. 
       Inebriado com as palavras do ser, o menino transformou-se num homem, que pode entender a essência e razão daquelas palavras, vendo que na vida anterior, tinha sido um senhor feudal muito temido que abusava de crianças com menos de 15 anos, colocando-as em sacrifícios de trabalhos e sexuais. Nesta vida, ele não passou da fase de criança e teve que estar sem amor para valorizá-lo nas que seguirão. A justiça divina é feita da consciência de cada um de nós, que com nossas ações causam reações que são transcendentais a uma única existência. Parece lógico, comum na visão espírita essas observações, mas na mente de muitos humanos é uma inverdade. O tempo, e infelizmente a morte, mostrará a função do Consolador Prometido.
         Mas nós não temos a oportunidade do menino em estar encarnado ou desencarnado e logo saber a razão de todas as coisas. A alma não é racional e não tem explicações e, da mesma maneira são os sentimentos.

Se são plantados em teu jardim, cultive-os, nada é por acaso e desta feita, não será também. Cada existência é única e as demais não podem ter reflexos senão positivos. Não viva os temores do passado, desprenda-se dos medos e mostre a si mesmo que és capaz de libertar o espírito dos rancores. Ame, só assim encontrará a paz, mas lembre-se, o amor é como o sol, precisa de frestas arejadas para iluminar com seus brilhantes raios os corações carentes. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Memórias: Meu encontro com a filosofia

Este foi um texto de um trabalho da disciplina de Teoria e Prática Pedagógica, que resolvi compartilhar com quem curte filosofia!!!




            Meu encontro com a filosofia foi antes de tudo um encontro comigo mesma. Um encontro que possibilitou que as ideias, pensamentos e questões que vagavam pela minha mente, tomassem forma, alinhamento e sincronia, formando uma espécie de diagrama linear e organizado. Em outras palavras posso dizer que percebi que as minhas inquietações não eram tão particulares assim e nem tão eventuais. Minhas indagações já eram compartilhadas em outros tempos por outras pessoas que se tornaram então filósofos, assim como eu desejo me tornar, agora por metodologia acadêmica e não só por mero empirismo ou vontade de pensar por pensar, sem propósito ou finalidade.
        Sou uma pessoa naturalmente apaixonada pela sabedoria. Depois que conclui a graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, percebi que o ensino superior não é um ponto final do conhecimento. Sempre busquei me atualizar, pois penso que é inerente à prática profissional. Considerando a minha formação e responsabilidade enquanto profissional e cidadã, comecei a escrever um livro, o qual lancei no mês de junho sobre a história da minha cidade: Candiota. Esta oportunidade fez com que eu começasse a me apaixonar por história. Percebi que as pessoas que conhecem a história e como o mundo se desenhou, me exercem fascínio e admiração. Conclui então uma especialização através do Polo de Hulha Negra em 2012 e fiquei na espera de ser oferecido um curso de graduação. Então no primeiro semestre de 2014 foi oferecido o vestibular para Licenciatura em Filosofia. Na hora da publicação das inscrições para o vestibular nem pensei duas vezes, fui tomada pela excitação em voltar a estudar, e eis que era a filosofia, tendo ainda um atrativo essencial que era a instituição de ensino: a Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
         Descobri na filosofia uma forma de melhor me relacionar comigo, saindo de uma solidão existencial para adentrar em um mundo de perguntas compartilhadas. Compreendi através dos mestres que mais importante do que saber responder é saber perguntar. Percebi, portanto, que as respostas que eu buscava são problemas filosóficos seculares, milenares e que perpassarão um tempo à frente ainda sem pontos finais. Identifiquei que na verdade tudo o que me indignou como jornalista, como ser humano, mulher e cidadã, não eram questões triviais e sim, temas que ganha sentido em minha peregrinação pela filosofia. Tudo que a minha visão religiosa oportunizou alcança sustentação filosófica.
             Eu já filosofava mesmo antes de saber o que era filosofar. Aos 12 anos ficava a contemplar as estrelas ouvindo Lady In Red e demais canções do Goodtimes, através do meu velho Walkman que também era vermelho, cor contida no título da música que sequer eu conhecia a tradução. Anos mais tarde percebo que sempre busquei refúgio em meus pensamentos, buscando criar meus espaços solitários de reflexão. Hoje percebo que a vida vai nos encaminhado para as próprias vocações e cá estou a filosofar sobre meu encontro com a filosofia.
             Vivo com a filosofia uma complexidade de sentimentos e sensações. Aceito que perguntas não têm respostas, mas anseio por conclusões, definições e conceitos. Não me satisfaço com aprendizados vagos, com entendimentos superficiais. Não quero uma formação para um mero avanço de carreira ou titulação. Quero a filosofia para viver e bem viver e para sair da solidão intelectual e academicamente ser uma profissional que possa contribuir aliando a experiência ao conhecimento.
  Busco uma compreensão horizontal dos temas filosóficos e me arrisco a escolher verticalmente o que me provoca o brio. Ou seja, sei que seria pretensão apreender tudo com profundidade, por isso seleciono os conteúdos que mais me instigam interesse. Desafio-me a cada conteúdo, a cada filósofo, quando por ora me sinto privilegiada e grandiosa com o que estou aprendendo e, por outrora tão pequena e insatisfeita com o que não estou compreendendo. Resolvo e crio dilemas morais, intelectuais e éticos a cada frase, pensamento e ponto final. Dilemas estes que talvez nunca terão um ponto final e sim reticências.
   Acredito muito na intuição como uma aliada da práxis profissional. Permito-me refletir os pensamentos que me veem ao amanhecer quando ouço o cantarolar dos pássaros que fazem coro em minha janela. Por esta janela vejo o meu mundo e as mesmas estrelas que via quando era adolescente, mas agora eu já tenho a maturidade de saber que são apenas astros iluminados e que meus pensamentos não são vãs filosofias.
            Não sei aonde a filosofia irá me levar, mas sei onde ela me trouxe. Trouxe-me a esse mundo que na verdade experimentalmente eu já vivia: o mundo da contemplação, da intelectualidade e dos pensamentos vivos e borbulhantes. O mundo das pessoas que não aceitam exclamações e querem respostas às interrogações. A filosofia está me proporcionando aperfeiçoamento em todos os aspectos. Proporcionando-me refletir cada vez mais sobre os até então vulgares fatos das políticas e das relações humanas, em especial as relações de poder.

            Também não sei se após formação inicial continuarei a explorar um tema filosófico do qual tenho afinidade, se lecionarei, se escreverei sobre filosofia, ética, política, sociedade. Só sei que agora meu desejo é caminhar para alcançar mesmo que minimamente a sabedoria. A filosofia nesse momento segura o meu coração e ilustra minha alma. Faz-me sentir capaz, viva e ativa. Faz com que eu possa exercitar o que tanto amo: o conhecimento e a escrita. Em especial a filosofia como diria um dos meus filósofos favoritos, Severino Boécio, vem como uma consolação. Mas personifico ela não maltrapilha como ele o fez na cadeia e sim, como uma linda mulher de vestes azuis da cor do céu que me intui e inspira a cada composição textual. 

terça-feira, 30 de junho de 2015

O “ser careta” na atualidade

       



      Ser careta até pouco tempo era ser aquele que não fumava maconha ou que não tinha uma postura sexual mais libertina. Hoje em dia o termo assume outra significação e ser careta é ser aquele que é arraigado a alguns padrões. Bom, eu sou careta mas ao mesmo tempo sou mente aberta. Isso é possível sim.
        Sou careta porque nos compromissos profissionais costumo chegar antes da hora marcada e antes de muitos baterem o cartão. Por que na faculdade sempre fiz e ainda faço os trabalhos em dia sem colar da internet. Sou careta porque coloco o sinto de segurança quando entro no carro e porque jogo lixo na lixeira ou guardo na bolsa. Porque devolvo o que me emprestam antes de me pedirem de volta, porque costumo (salvo algum problema financeiro de força maior) pagar minhas contas em dia, isso inclui os impostos municipais. Dou lugar para uma pessoa mais idosa, debilitada ou gestante sentar e ajudo a todos que me procuram. Sou careta porque acredito no casamento, na fidelidade. Porque não tenho o hábito de mentir ou trapacear. Porque assumo meus sentimentos e defeitos.
         Sou careta porque pra mim os maiores valores são a família e os amigos. Porque pratico uma religião e porque leio acima da média de muitos. Sou caretona porque nunca experimentei drogas e nunca fiz sexo por dinheiro ou cargo. Mas sou mente aberta porque não condeno ou julgo ninguém que tenha feito. Penso que a liberdade – apesar de paradoxal – nos permite fazer o que quisermos de nossas vidas com nosso corpo e com nossa expressividade.
         Sou mente aberta porque não penso que uma religião é melhor que a outra ou um time de futebol ou um partido. Cada instituição estabelecida tem suas razões de ser. Sou mente aberta porque aprendi que nada pode ser generalizado. Dizer que um time é ruim, um canal de TV é ruim é uma ignorância, porque o ruim pra um pode ser bom pra outro. Sou mente aberta porque não divido os seres humanos em gordos e magros, heterossexuais e homossexuais, negros, polacos ou brancos. Sou mesmo careta, por outro lado, em compreender a intolerância das pessoas para com o próximo. Sou careta por acreditar que a política pode mudar o mundo positivamente, enquanto para a maioria políticos são todos desonestos. Sou careta por acreditar que sempre há um ser humano atrás de uma maldade, que nada mais é muitas vezes que uma defesa.
         Sou careta porque gosta das músicas dos anos 80 e 90 e dificilmente me agrado dos hits da atualidade. Porque gosto de música gaúcha, nativista, pop rock, rock e música clássica (ópera). Mas sou mente aberta porque acho que todo mundo tem direito a gostar de pagode e funk, se vende é porque tem quem goste e não temos nenhum direito de chamar um artista ou música de lixo.
          Sou careta porque não incluo no vocabulário escrito as palavrinhas da moda (#partiu, #tátendo, #sobreontem, #sqñ, #boralá), mas entendo perfeitamente o que elas querem dizer e acho legal que os mais jovens tenham a capacidade de se expressar.
           Sou careta porque ainda tenho muito a aprender sobre a língua portuguesa e por ela tenho o maior respeito. Já critiquei quem escreve errado, mas hoje penso que temos que respeitar as pessoas que tiveram menos oportunidade. Temos amigos no Face que não puderam estudar e recentemente estão se alfabetizando ou exercendo o hábito da leitura e escrita. Por isso temos que ter a mente aberta para aceitar toda a forma de expressão, é o que a pessoa consegue fazer naquele momento, e se consegue passar o recado azar que tenha erros ou acertos, falte acento ou se troque os “r” ou “s”, ela não está escrevendo um artigo científico (que mesmo assim pode ter erros) e sim externando alguma coisa que a moveu em uma rede social. Tenhamos tolerância e mente aberta para com os erros dos outros, seja de português ou de vida.
           Sou careta em minhas crenças mas mente aberta para acreditar que nada é verdade absoluta ou pronto e acabado. Sou careta por acreditar que o caminho certo é o do bem e da honestidade e não acreditar que o “mundo é dos espertos”. Sou mente aberta, por outro lado, para compreender que cada irmão encontra-se em um estágio e que tudo que se faz entra na “cadernetinha de Deus” e que sempre responderemos por nossos atos.
            Bom, agora escrevendo não sei mais se sou careta ou mente aberta. E não sei o que é bom ou o que é ruim. Aff...sociedade cheia de esteriótipos, de prejulgamentos, onde cada um deveria cuidar de si e do planeta e cuidam mais do próximo no sentido pejorativo da palavra. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que é uma pessoa polêmica?

          Confesso que ainda não sei se é elogio, crítica, xingamento ou mera observação quando sou chamada ou ouço alguém dizer que uma pessoa é “polêmica”. No dicionário polêmica é uma pessoa que suscita divergências e controvérsias, que debate ideias e trava discussões. Ser uma pessoa com esse perfil mais ostensivo nas discussões não sei se é bom ou ruim, mas sei que existem as que se impõem mais e as que se isentam mais. Na linguagem popular os “polêmicos” os “não tem boca pra nada” e ainda encontramos os “em cima do muro”. Penso que independentemente do perfil adotado, o respeito deve vir em primeiro lugar, o respeito a forma do outro ser e se manifestar ou não, sempre acompanhado do bom senso.
          Mas vamos voltar a falar dos polêmicos, “adjetivo” que já ouvi ao meu respeito e que tenho buscado refletir sobre. Tenho também afinidades com pessoas desse perfil, também chamadas de “gênio ou personalidade forte”. A sociedade está sempre em busca de rótulos e somos sempre criticados sendo uma coisa e outra. Hoje percebo que o meio termo e o bom senso é sempre o melhor caminho, mas por dentro ainda em mim o “falar o que eu penso” e o “ficar na minha” brigam constantemente.
          Percebi que tenho buscado pacificar palavras, opiniões, sentimentos e ações, mas que só consegui alcançar um determinado nível, nível este que talvez seja o meu limite ou que só com o passar do tempo e as experiências possa ser adquirido. Admiro muito aquelas pessoas sensatas, ponderadas e sábias, como também tenho minhas reservas acerca das falaciosas, meramente discursivas, que expõem as opiniões inflexíveis em alto e bom tom. Eu muito me orgulhei de dizer “eu falo o que eu penso, doa a quem doer e custe o que custar”, hoje ouço isso e me envergonho de mim por ter sido assim e fico torcendo que aquela pessoa que falou perceba que não é bem assim. Falar palavras boca a fora não é sinceridade é impulsividade. Se não mensuramos as palavras ou tentamos traduzir de forma a não ferir o outro não é sinceridade é grosseria. Portanto, é preciso sabermos como e quando falar. Tudo vai da forma e do jeito.
       



      A justificação aqui compartilhada é antes de qualquer coisa uma autorreflexão com a pretensão de quem sabe auxiliar a reflexão de outras pessoas que encontram-se as vezes meio perdidas nesse nosso grupo dos polêmicos.
Essas formas refletidas no entanto, não podem sucumbir com nossa personalidade e opinião. Precisamos sim nos posicionarmos, por imparcialidade não existe. O que existe é opinião em processo de formação.
        Penso que há espaços em especial, onde não devemos temer o rótulo de polêmicos, como, por exemplo, os lugares onde estamos buscando aprendizado: uma escola, faculdade, curso, grupo de estudos, etc. Se neste espaço onde temos pessoas mais preparadas que nós a nos esclarecer não podemos expor uma opinião até mesmo para repensá-la, sinceramente estar ali como mero expectador passivo não faz muito sentido. Perguntar as vezes pode ser considerado criar polêmica, mas perguntar não ofende.
Há pessoas que como eu, têm um timbre de voz alto, eu por razão da surdez em um dos ouvidos, outras por outras razões. Falar alto e com palavras mais fortes as vezes gera mal interpretação e confusão com autoritarismo ou dominação, quando na maioria dos casos, é simplesmente jeito de falar que também deve ser respeitado como aqueles que falam baixinho.
     A personalidade vem se construindo com o passar do tempo, mas existem características tão inerentes. Ter essa postura mais ostensiva e polêmica é uma delas que com o tempo apenas se ameniza, ou não. A vida profissional compromete bastante esse processo, o horóscopo também para quem acredita.
          Eu sou leonina. Bicho feroz da selva, o Rei. Só por isso pode-se dizer que sou assim mais “personalidade forte”. Me graduei em jornalismo, passei quatro anos ouvindo que o “jornalista é um indignado”. Estou me graduando em filosofia, onde tenho lido que o “filósofo é um inquieto”. Bom, aí externamente alguns indícios sociais me dizem que preciso ter postura passiva? Bem complicado e oposto a tudo que tenho aprendido. Como se a sociedade visse as pessoas “polêmicas” como ovelhas negras. Quem fala o que ninguém fala é ruim. Esse paradoxo por si só já me indigna. O jornalista é preparado para ser sim polêmico, assumindo o sentido da palavra que é de discutir (sem sensacionalismo), questionador, curioso, proativo, para com isso através das suas palavras poder levar informação e utilidade pública. Um serviço social desse porte quer um profissional passivo? Religiosamente, sigo uma doutrina que sugere a reforma íntima, o autoconhecimento, e esta é possível sem verdade? Sem assumirmos o gosto que temos por entrar numa discussão que valha a pena?
        O senso comum é irrefletido. Já passei por uma situação onde uma pessoa elogiou um determinado trabalho, depois outra, e a seguir uma dezena. Isso acontece de forma oral e escrita nas redes sociais com elogios e com críticas. Aí eu em particular, tive uma opinião contrária, apontei falhas, mas se externo isso sou a polêmica...será? Será mesmo que essa é a melhor palavra?
     Enfim, esse assunto não se esgota aqui e nem na autocrítica de cada um de nós. Sejamos polêmicos, sem ofender ou serenos, sem se alienar. O meio termo com respeito e sabedoria sempre será o melhor caminho.
Ser polêmico é o que pra você?

domingo, 21 de junho de 2015

Lançamento de livro sobre Candiota reúne comunidade e autoridades políticas

A noite fria de quinta-feira, 18 de junho, foi marcada por eventos que visam demarcar a história candiotense. Na Câmara de Vereadores cerca de 150 pessoas prestigiaram o lançamento do livro Seival Passado & Memórias, da jornalista Nadiane Momo tendo como principal fonte histórica Gregório Ferreira. Na oportunidade também foram lançados os projetos da Biblioteca e do Memorial do Legislativo, chamados Vera Isabel Solares Gomes Lopes e Graciliano Gasso respectivamente.
O público contou com representantes de diversas instituições, imprensa, escritores, bem como de autoridades políticas como do deputado Pedro Pereira PSDB-RS, prefeito de Candiota Luiz Carlos Folador e de Aceguá Júlio César Pinto. Ainda aconteceu uma homenagem aos ex-vereadores de todas as legislaturas de Candiota a partir da proposição do presidente da Casa, Ancelmo Camilo, PSDB.
As autoridades destacaram a importância da obra, que resgata a história do município e da localidade conhecida como Berço da República Riograndense. Conforme Gregório Ferreira, Seival passou por diversos momentos críticos e hoje encontra no investimento carbonífero uma oportunidade de desenvolvimento e valorização. “Seival esteve na UTI e hoje já está no quarto recebendo visitas”, brinca de forma metafórica o ex-vereador e ex-subprefeito da localidade, que aos 86 anos mantém uma memória intacta sobre os acontecimentos locais e regionais, que estão descritos com riqueza de detalhes no livro.
A escritora se deteve aos agradecimentos aos que colaboraram com o livro e também a oportunidade em colaborar, como cidadã com a história da cidade. “A obra é a estrela”, enfatiza.
Após, os cerca de 150 convidados presentes foram recepcionados em um coquetel no CTG Batalha do Seival, no qual foram ainda servidos vinhos produzidos na região da Batalha Vinhas & Vinhos. O evento foi abrilhantado pela exposição fotográfica Marcas do Tempo, do fotógrafo e acadêmico de jornalismo da Urcamp Gabriel Bonilha, que também era morador de Seival e foi quem apresentou Nadiane e a ideia inicial a Gregório. Gabriel também fotografou o evento.
O livro em Candiota, pode ser adquirido na Tolfo Papelaria e Informática, situada em Dario Lassance (sede do município). Em Bagé, no entanto, ainda haverá tratativas para um ponto de comercialização. Mais informações e um contato direto podem ser feitos na página do livro no Facebook que tem o título da obra. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Candiotenses lançam livro sobre história de Seival



Foto do forno da Charqueadas Santa Rosa

O ex-subprefeito de Seival e vereador da primeira legislatura Candiotense Gregório Ferreira, 86 anos, foi fonte história para a elaboração do livro Seival Passado & Memórias, escrito pela jornalista Nadiane Momo. As pesquisas para o livro iniciaram em 2011, contando com relatos de Ferreira, bem como de alguns antigos moradores da cidade e foi impresso esse ano com recursos próprios. 
A obra que trata-se de um livro-reportagem, tem por finalidade resgatar a história do município, que até então é descrita em apenas um livro. Conta não só a história de Seival, antiga Santa Rosa, mas também da construção do município de Candiota como um todo, bem como aborda a formação dos municípios de Aceguá, Bagé e Hulha Negra de forma geral. O texto, sem aspirações históricas mais sim informativas, visa reunir o conhecimento empírico da região, apontando seus aspectos políticos, culturais, históricos e socioeconômicos. A linguagem é clara e acessível, oportunizando ser um material didático e educativo, podendo ser usado como fonte de pesquisas. 
O lançamento acontecerá em um evento exclusivo para convidados no dia 18 de junho, às 18h, na Câmara de Vereadores de Candiota, no plenário que leva o nome de Gregório Ferreira. O lançamento será uma das atrações da inauguração do Projeto do Memorial e da Biblioteca do Legislativo Candiotense a ser realizado na data.
Após a cerimônia de lançamento, haverá uma recepção com coquetel e sessão de autógrafos a ser realizada no CTG Batalha do Seival. No coquetel, apoiado pela Vinícola Batalha, dos empresários Gilberto Pozzan, Felipe Pozzan e Giovani Silveira Peres, haverá degustação dos vinhos produzidos na região.
Durante o coquetel, acontecerá ainda uma Exposição Fotográfico do acadêmico de Comunicação Social – Habilitação Jornalismo, que é morador de Seival, Gabriel Bonilha. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Oração à Candiota



Pai, Patrão Celestial, olhai por todos nós candiotenses
Olhai Pai, a força da nossa gente
Olhai as crianças que aqui crescem com harmonia
Protegei os jovens que batalham por educação
Os idosos que se acomodaram com felicidade nesse chão

Olhai os trabalhadores que aqui desembarcam todos os dias
Abençoa Pai, cada candiotense por opção ou por coração
Leva aos lares e as famílias a energia do nosso carvão
Fomenta o amor, a paz e a gratidão

Pai, Patrão Maior de nossos gaúchos e gaúchas
Faz com que dancemos a música da paz
Que a alegria do nosso povo tão arraigado à tradição
seja uma constaste e que não haja espaço para a solidão

Mestre, suscitai no âmago de cada candiotense, gaúcho, brasileiro
a luta, a caridade e o perdão
Que as preocupações com pormenores sejam substituídas por compreensão
Que assim como das minas é extraído o carvão
Seja extraído de todos a união para lutarmos por nossa cidade
que conquistou a emancipação

Que tenhamos aqui ó Pai, o fundamental para viver
Que nossos jovens acreditem na terra
que o Ouro Negro fez nascer
Que tenhamos oportunidade,
sustento e valorização de cada talento
Que nossos anjos não busquem voar para longe
E que encontrem possibilidades aqui dentro

Inspirai ó general Celestial os nossos governantes
Para que os mandatos sejam geridos com garra, comprometimento
E principalmente com honestidade e convicção

Senhor Jesus, Jesus de todas as religiões
Olhai cada lar dos candiotenses e de quem vem de outras regiões
Que a geração seja de energia e também de solidariedade
Que os abraços sejam de afeto, tenhamos boa vizinhança e amizade

Deus, obrigada pelas riquezas do nosso município
Pelas riquezas de nossa gente
Pelo nosso jeito simples que vivemos nesta cidade tão diferente
Obrigada pela segurança de viver
Pela perspectiva de construir
e por aqui todos nós com fé e saúde existir

Carvão, vinho e oliveiras para o nosso sustento
Fé, amor e oração para o nosso desenvolvimento
Abençoai Pai Candiota, a terra que escolhemos
e que tanto amamos.


Disponível em vídeo no endereço:







terça-feira, 17 de março de 2015

Não costumo compartilhar texto que não os de minha autoria, entretanto, este do amigo Gabriel Bonilha é de extrema relevância. 


DEJAVÚ DO HOMEM VELHO - O EMERGIR DO OCULTO


Já não se sabe o que é notícia. O povo comum escreve, publica, compartilha, divulga, cria, inventa e dissemina na rede os vírus mortais da fofoca, intriga, mentira, escândalos, entre outros venenos da hipocrisia. Não seria tão perigoso viver na liberdade da era da tecnologia? O homem caminha para o regresso, pois não sabe mais utilizar os benefícios ao desenvolvimento e aprimoramento do próprio bem estar. Confunde o viver bem com o viver no luxo, edificado por meios sórdidos realiza seus desejos materiais. Acredita ilusoriamente viver para ter. Despreocupa-se com o hoje e vive pelo futuro. Mesquinho, é capaz de articular ações contra os seus, molestando caminhos que levaram anos para serem soldados. O Brasil, coração do mundo, não é o mesmo de ontem, e projeta-se para ser diferente do hoje. No entanto, é preciso reflexão interior, ouvidos apurados para tudo que nos cercar, porém é mais necessário ainda termos o crivo de tudo que se passa. Protestar, indignar-se, revoltar-se, é direito do homem, contudo, a questão requer ponderação e posicionamento sempre, não apenas no alvorecer de um dia. Lideranças rumam as portas do porão, não conseguem enxergar além de seus interesses e dos partidos pertencentes. Negociam nossos direitos como uma mercadoria valorizada por um comércio esdrúxulo e violento, onde o que vale mais é o prestígio de um nome que será apagado na tumba, mas nunca borrado nas páginas desta história de vida. Compram saberes, impactam nossa vida, desestruturam nosso futuro e preocupam-se com os paraísos fiscais. O simples agora é o difícil, os valores estão inversos e direcionados para a autopromoção, negando a existência da verdade e ocultando de si próprio os juízos de ética e moral. Estão afundando no manancial de ódio, corrupção, desamor, cobiça vingança, e todos os adjetivos possíveis do negativo. Pobres homens que desconhecem seus destinos enveredam por caminhos torpes e ilusórios, constroem suas lápides no suor do seu povo, esquecendo-se que na vida nem tudo vale a pena, porque o que importa é a paz do espírito e os laços que amarram os desejos do bem em construir uma sociedade melhor, sem dor e sofrimento. Então, não adianta viver no mal, porque as mudanças para a execução dos planos maiores irá acontecer e aqueles que permeiam fatos que comprometam esta transição, serão expurgados deste recôncavo, que hoje ainda é de sombras e tempestades ocorridas pelas erupções do homem velho.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Tome cuidado com as generalizações!

Tenho medo hoje em dia de usar as palavras e expressões: jamais, nunca, ninguém, todo mundo e para sempre! Não só porque são literalmente fortes, mas também porque se partirmos da premissa de que o absoluto não existe, recaímos em uma série de erros onde voltar atrás pode se tornar bem complicado.

            Se formos analisar profundamente e indagar o que é que é para sempre de fato, a que resposta chegaremos? Deixando de lado a visão crente que responderá que eterno somente Deus, ficamos com que resposta? Se começarmos a refletir perceberemos então que nada é para sempre, sequer o céu ou as águas que nos envolvem universalmente têm garantias de eternidade. Podem ruir ou sucumbir em função de forças divinas, naturais ou até mesmo humanas. Não temos como prever se uma bomba atômica eclodirá o nosso planeta inteiro e ficamos postando na rede social que nosso emprego, casamento, amizade ou empreendimento será para sempre... Um pouco pretensioso não é mesmo? Nosso desejo particular de situações ou relacionamento em nossas vidas darem certo, nem sempre será o desejo do outro e nem sempre dependerá apenas de nós.

            A complexibilidade das palavras, das situações e o cuidado ao nos expressarmos precisa estar sob a frequente ótica da reflexão. Em filosofia chamamos esta atitude de falaciosa, ou seja, um falso argumento que visa defender algo que parece verdadeiro. Mais precisamente de “falácia da generalização apressada”, que denota a nossa limitação reflexiva ao julgarmos de imediato e dizermos boca a fora que nunca/jamais faremos isso e que sempre faremos aquilo outro.

            Enfim, uma atitude que nunca teríamos não se sustenta ao precisarmos sobreviver. Uma ação que sempre temos não se sustenta se formos tomados de surpresa pelo calor de uma emoção. Somos tão particulares nesse universo... nem sequer nos conhecemos, muito menos a complexibilidade do fluxo da vida para cairmos nas armadilhas das generalizações.

            Cuidado com as palavras ditas, elas não voltam e carregam uma energia imensurável. Troque o “felizes para sempre” pelo quero te fazer feliz sempre que eu puder, porque ninguém absolutamente consegue 24h de felicidade ou uma constância emocional que o diferencie dos demais meros habitantes do nosso planeta. Troque o “nunca farei aquilo” pelo desejo real de não pretender fazê-lo. Troque o “sempre falo a verdade” pelo, procuro ser sincera, afinal, reflita...pense, provoque-se: você é sempre feliz? Sempre fala a verdade? Nunca mente?  

            A tua reflexão, desde que sincera, já valeu os minutos que dispensei a esse texto!!!


            Pense sobre e jamais (rsrsrs...estou sendo falaciosa) generalize...

Não desejar o que te desejam...




Percebemos o nosso crescimento espiritual, quando não desejamos mais dar o troco em ninguém ou provar nada para ninguém, ou pronunciar aquela frase "desejo em dobro tudo o que me desejas". Essa é uma frase mesquinha de quem não é verdadeiramente espiritualizado ou Cristão. Agindo dessa maneira, estaríamos retribuindo o mal com o mal e no meu coração, felizmente, esta palavra não tem mais espaço... 

Os sentimentos de raiva quando temos um determinado entendimento sobre a vida, tornam-se tão passageiros que não se alojam mais em nosso coração e são substituídos prontamente pela piedade e desejo verdadeiro que aquele irmão em sofrimento consiga evoluir também e não busque jogar no próximo a culpa por suas atitudes, reconhecendo suas falhas e aprendendo a pedir perdão, buscando compreender as razões de uma vida tão estagnada... 

Desejamos assim que o irmão ferido procure a Deus e não ocupe-se com palavras e sentimentos que fazem mal só a si próprio, enquanto aquele que ele pensa que ofende, está tão bem com sua consciência espiritual e com o coração em paz, onde nenhum mal ou vibração negativa emanada permanece...

Enquanto aquele que pensa que se ofende cresce com a experiência, a raiva age dentro do irmão em sofrimento como uma fera em busca de alimento e dai, da boca saem palavras que o coração transborda...

A experiência desafortunada para muitos, infelizmente, não serve para reflexão e aprendizado, pois quem não admite os próprios erros, arrepende-se e pede perdão jamais subirá os degraus de evolução da vida...

Também não há mais espaço em minha vida para tentar ficar provando alguma coisa para alguém, porque da minha felicidade e da minha paz só eu e quem eu permito sabe...as pessoas que nos conhecem de verdade (e são poucas) conhecem nosso coração e não precisamos justificar nada...

Quando apontamos infelicidade, falsidade e defeito nos outros, na verdade estamos descrevendo quem somos...demonstrando nossa imaturidade e insatisfação perante o que não conseguimos ser e até mesmo almejando ser ou ter aquela pessoa que agredimos...

Paz, oração e muita fé aos nossos desafetos, que são irmãos em escala evolutiva ainda inferior e que precisam muito mais de amor do que nós e muito mais das nossas orações do que possamos imaginar....

Eu alimentei a fera da raiva, quando consegui extingui-la, comecei a viver ainda melhor e mais feliz.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Poema de Verão


Estou precisando ver o mar...sentir o barulho das ondas, ver os barcos a navegar...
Estou precisando sentir a brisa no meu rosto bater, do verão e suas benesses viver...
Estou precisando pisar na areia quente e depois os pés no mar gelado escaldar...
Estou com uma vontade enorme de existir, sentir, gargalhar...
Esse meu amor e gratidão estou precisando extravasar, com meus amigos sorrir, aprender, filosofar...
Estou precisando esta minha paz de espírito mostrar, não celebrar mais a vida sozinha, mas sim compartilhar...
Estou grata, entusiasmada, com o devir e com a vontade em ebulição de me jogar no mar da vida e deixar a onda me levar...
Estou alcançando anseios, expulsando devaneios tudo pela paz, do meu coração em veraneio!!!
‪#‎feliz‬ ‪#‎empaz‬ ‪#‎momentopoetiza‬
NCSMS 18/01/15 - 20h25min