segunda-feira, 19 de julho de 2010

Do “3 em 1” ao bluray



Essa reflexão começou na sexta, quando na ordem aleatória de execução
de mp3 no meu media player, tocou uma música bem antiga e, uma colega
de trabalho comentou: "- Nossa, essa agente ouvia no wolkman!". Bem
lembrado, nisso me deu até saudade do que eu tinha e dai coloquei no
Google Imagens para procurar um igual, vermelho, e o servidor
redirecionou para mp4, mp5..6, 7...enfim, aquele igual o que tínhamos
não foi encontrado. Conversa vai, conversa vem, eu com 26, minha
colega com 28, outro colega com 40, começarmos a conversar sobre o que
na "nossa época" era chamado de tecnologia e lembramos do sucesso: 3
em 1. Nossa, era aquele som tri da moda com toca-discos, toca-fitas e
rádio. E quando era duplo deck? (dois compartimentos para fita) e
autoreversi então (que virava a fita sozinha), bom ai era tecnologia
mesmo.
Lá no tempo da fita a gente adorava gravar, às vezes o radialista
largava a vinheta da emissora no meio. Ai que raiva. Aí tinha que
ligar para a rádio e dizer que era para gravar. Bueno, hoje em dia é
bem mais fácil, a gente baixa essas músicas e houve o PC, no mp3,
cartão SD, etc. Enfim, naquela época nem imaginávamos aonde o mundo da
música ia nos levar, assim como, hoje também nem imaginamos. Mas no
meio desta conversa, tinha uma colega de 19 anos, achando tudo isso
arcaico, mas é a vida, as coisas evoluem mesmo.
Lembrei que eu era maniática com o TOC (Transtorno Obsessivo
Compulsivo) desde adolescente. Minhas fitas eram bem arrumadinhas,
tudo separado em rock, pop, pagode, nacionais, internacionais. Nossa,
hoje quase 15 anos depois continuo maniática, e minha coleção de quase
7 mil mp3s é impecavelmente renomeada. É...com loucos não se discute!
Enfim, do 3 em 1 para o bluray muitos anos se passaram, muitas
novidades surgiram, mas a música continua fazendo parte da vida das
pessoas, fazendo trilha sonora para romances, decepções, momentos
inesquecíveis.
É interessante notarmos ainda, que apesar te toda a evolução, a
pirataria ainda não foi combatida. No tempo da fita, as originais que
tinha até encarte com a letra da música, já podiam ser gravadas (até
tinha algumas com um dispositivo que impedia, mas fácil de ser
burlado), mas, que eram caras demais. Hoje em dia os cds são copiados,
ripados, as mp3 jogadas na rede e os preços das mídias originais
continuam caros demais, inacessíveis. Claro que é um absurdo para o
cantor que gastou um monte de dinheiro para elaborar o álbum, mas um
meio-termo é preciso ser encontrado, para todos saírem ganhando.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma região com pouca oferta de cultura

Pelo menos para mim, um texto do formato artigo/crônica requer inspiração e este veio de uma recente conversa que tive com as proprietárias do salão de cabeleireiro que frequento em Candiota, que me chamaram a atenção para o nível cultural da cidade e estendo isso para região.
Daí foi só fazer uma análise rápida e perceber o quanto somos realmente pobres. Em Hulha, Candiota e Pinheiro Machado, não há grupos culturais, e não estou falando em cultura sul-rio-grandense, dança, poesia. Falo grupos de discussão de assuntos transversais, de assuntos intelectuais, onde a força do pensamento possa gerar interação.
Não encontramos nesta cidade – me corrijam se em Pinheiro existir – livrarias, digo livrarias de fato, com obras novas, mais vendidas e mais lidas. Enquanto há um cyber em qualquer esquina, os livros ficam cada vez mais empoeirados e creio que os clássicos nem são mais tão exigidos nas escolas.
A gente reclama muitas vezes da cidade, de forma injusta, mas neste caso é uma crítica construtiva. Sempre que posso em Bagé, vou a LEB ou na Casa das Revistas, locais agradáveis, sempre com exemplares inéditos, um bom café ou água gelada. Não só a literatura, mas também o cinema é uma expressão cultural, o teatro, e os vemos nestas cidades? Não...mas os bares e casas noturnas estão cada vez mais em moda.
Temos que considerar também que é difícil para investir neste setor, até porque essa parcela da sociedade, crítica e reflexiva, ainda é muito pequena, diante daqueles que passam pela vida sem considerar importante inflar o cérebro. Por outro lado, passo a crer, que ora bolas, estes são mais felizes que os pensadores, pois vivem mais e filosofam menos. Será?!.