terça-feira, 20 de abril de 2010

A afetividade e o trabalho

A partir de agora nas próximas colunas vou abordar um assunto um pouco diferente dos demais. Entretanto, não deixa de ser regional e importante para a vida de todos nós, porque trata do nosso ambiente de trabalho. Os artigos são fragmentos da minha monografia de pós-graduação em Gestão de Pessoas que conclui em 2008 no qual após um longo trabalho obtive nota máxima.
Contribuir tanto para a sociedade científica como para a melhoria do meu local de trabalho foi uma das finalidades da pesquisa, que tem também como objetivo levar a uma reflexão sobre o entrelaçamento da vida profissional com a vida pessoal. Com o mundo cada vez mais tecnológico e globalizado, os valores precisam ser mantidos, principalmente no espaço de trabalho que para a grande maioria das pessoas, é a segunda casa. Este trabalho aborda referências teóricas, conhecimentos empíricos, comprovação dos resultados e acima de tudo, muita paixão em seu contexto.
Palavras-chave: Trabalho. Afetividade. Necessidades. Eficácia. Eficiência. Produtividade.
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A sociedade caminha em um ritmo que ela mesma impõe. As transformações fazem parte do dia-a-dia, mudam os governos, as leis, a geografia e a moda, mas há certos valores vigentes no decorrer dos séculos, que estão respaldados na essência mais primitiva do ser humano: a sobrevivência. Todo ser vivo inclusive o homem, precisa sobreviver em seu habitat natural e para isso, determinadas características precisam estar presentes. São as necessidades básicas de existência, que atingem a toda e qualquer pessoa independente do grau ou papel social que ocupa.
No homem, fazem-se necessárias condições que lhe propicie a aptidão para trabalhar, tendo portando uma estrutura física e mental saudável.
Independente de raça, etnia ou religião existem conceitos compartilhados de satisfação das necessidades humanas, ou seja, felicidade, mesmo diante de uma sociedade cada vez mais heterogênea. As pessoas de modo geral, querem ter saúde, dinheiro – alguma através de trabalho, outras não -, bom relacionamento com a família e um círculo confiável de amigos e, por fim, uma estabilidade emocional.
O quinteto citado norteia a maioria dos objetivos humanos, salvo exceções e, resulta na auto-estima de cada um. Delimitando um pouco mais o tema, a presente pesquisa visa contemplar justamente duas questões radicais do ser humano: a necessidade de trabalho para sobreviver e a necessidade fisiológica e biológica da afetividade como fator preponderante na auto-realização, em especial foco na sexualidade.
Estar bem resolvido afetivamente é um indicativo de bom desempenho do trabalho, entretanto não regra. Dentro da afetividade, não podemos se esquecer ser humano tem a necessidade do envolvimento sexual e isso é imutável no decorrer das décadas.
As questões estão imbricadas porque depois da Revolução Sexual do século XX, a sexualidade foi descontextualizada e individualizada, o que também vem acontecendo no trabalho e logo no sexo, onde cada vez mais os colaboradores precisam dedicar o maior empenho possível para não serem esmagados pelo mundo globalizado e competitivo. Ao lado de toda essa individualização e centralização do processo, as relações afetivas também tomam um norte semelhante. O amor romântico vem sendo substituído pelas relações independentes, portanto vale estudar de que maneira esses dois segmentos e condições se entrelaçam.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Palavrões musicais

Não sou da área da música, apenas alguém que gosta de ouvir e apreciar boas letras e melodias, mas tenho observado que os últimos anos, a qualidade da música vem caindo.
Canções que marcaram época não têm mais se revelado e os forrós, pagodes, entre outros ritmos são de músicas do passado ou uma releitura de um hit internacional.
Eu tenho um gosto bem eclético e acho que no fundo, todos tem um pouco de talento. Mas confesso não consigo apreciar, ou ver algum valor nas músicas da Tati Quebra Barraco, mulher moranguinho e mulher melão. Não estou falando do vocabulário, mas a composição é péssima e a voz delas então, nem se fala. Mas infelizmente, elas só estão na mídia e vendendo os seus álbuns, porque alguém compra.
Mas por outro lado, acho que elas levam críticas infundadas. Por que elas são tão vaidas quando usam palavrões? Claro que Caetano Veloso é Caetano, mas porque ele pode cantar "PUTA, VADIA" e todo mundo aplaude e acha lindo? E a Maria Rita, pode cantar "BUNDA" e ninguém diz nada? Olha para mim é um contrasenso não é porque são cantores de MPB que as palavras nas suas vozes tomam outro significado. BUNDA é bunda em "eu rebolo minha bunda" da mulher melão é "nem toda a brasileira é só bunda" da Maria Rita.
Mais uma vez o problema está no público. Tanto que os músicos lado B, ou seja, aqueles que fazem um som mais "cabeça" ou "erudito" não caem na fama popular, o que é uma lástima.
É deplorável também, saber que antigamente as menininhas achavam um máximo dançar balé, e hoje os próprios pais aplaudem quando rebolam freneticamente um funk? É triste ver uma menininha de 4 anos dançando o Crew, mas mais triste ainda saber que a cultura musical brasileira está indo para o fundo do poço.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Necessidade de autoafirmação

“Diga-me com quem andas que te direi que és”. Esta frase já era e pode, tranquilamente nos dias de hoje, ser substituída por “deixe-me olhar o teu Orkut e te direi quem és”. Claro, que para uma análise mais profunda as informações ali contidas são superficiais, mas dá para se ter uma ideia de quem está por traz daquele perfil, a partir de uma observação atenta as frases e fotos postadas.
Muitas pessoas, talvez a maioria, tem a extrema necessidade de se autoafirmarem, ou seja, de mostrar para as demais o quão são bonitas, ou inteligentes, ou o quanto viajam, têm amigos e pessoas que a amam. A autoafirmação é também relacionada a vaidade, o desejo de propor oportunidades de ser elogiado e até mesmo de provocar inveja.
Há várias maneiras de identificarmos esta carência, é só vermos as fotos de corpos e rostos, pedindo a frase: ai que linda! Ou então de um beijo com o namorado/marido/ficante/etc com a legenda Casal Perfeito, Amor Eterno! Olha se existe mesmo casal perfeito que bom, mas a realidade de qualquer relacionamento é muito diferente, existem pessoas que se amam muito com certeza, mas mesmo assim há dificuldades na convivência, nos ideais, enfim, qualquer forma de relacionamento, tanto um amoroso como uma amizade ou até mesmo com os colegas de trabalho tem seus pormenores e isso não é pessimismo, é realidade e se sai bem, quem melhor consegue conviver com as diferenças. Agora, quanto ao eterno, quem não quer? Mas infelizmente, não depende apenas do casal, mas de todo um contexto.
Há também os perfis/vítimas, daquelas pessoas que querem expor que passam ou passaram por dificuldades, mas, querem mostrar, mesmo muitas vezes sendo mentira, que superam tudo e são dignas de aplausos. Por isso, mostram processos operatórios, de emagrecimento, de vida nova após um ‘pé na bunda’, ou de perder o emprego. Há também os que afirmam serem os mais invejados, nossa, como se fossem os ícones da cidade!. Há os que tem Orkut mas não admitem que caíram na onda virtual, e colocam uma florinha, carrinho ou bebezinho no perfil para não se expor. Poxa, fala sério?! Não se expor!!!! Por que fez um perfil então?!. Confesso, não consigo entender.
Em uma entrevista, uma pesquisadora sobre o tema, falou que o Orkut atua como uma “plataforma hiperespetacular de publicação de sujeitos” na qual cada perfil é um canal de acesso imediato à autoestima e à autoimagem, pois representa, promove e celebra o “eu". Conforme a especialista não por acaso, o encerramento da conta na plataforma é sentido como uma espécie de morte, o ‘orkuticídio’.
Ela exemplifica que quando se ‘adiciona amigos’ é uma forma de responder mais à necessidade de compor uma “audiência cativa” do que propriamente estabelecer laços com o outro.
Tanto é complexa a abordagem do tema que, muitos profissionais da área da psicologia, sociologia, entre outros, não uma mera jornalista “metida” com eu estão estudando sobre o assunto. Minha análise é superficial e empírica, mas, sugiro que as páginas e perfis, tanto sua como as dos teus amigos, sejam observados com esta óptica mais crítica, para ver, como há mais verdades neste texto do que possas imaginar.