segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dois grupos de pessoas


Existem basicamente no mundo, dois tipos de pessoas: Um grupo é daquelas pessoas que são digamos mais satisfeitas e obedientes. Aceitam as regras do jogo, dão de si o que for pedido a elas e são felizes. O outro grupo é dos desobedientes, daqueles que não aceitam tudo, contestam, reflexionam, se revoltam e falam sem medo, as mais radicais. Estes também são felizes. Na verdade, independente da forma em que enxergam o mundo, todos os tipos de pessoas querem as mesmas coisas: a felicidade, o amor, a paz, dinheiro no bolso e a harmonização entre todos os sentidos da vida. O segredo da convivência simétrica entre os gêneros é compreender que cada um é um e que não podemos esperar que as pessoas ajam como queremos e sim, esperemos que ajam como elas são capazes, dentro de seus limites.
Mas quero falar de um tipo especial de pessoas: as geniais.
Pessoas geniais não são aquelas com QI excepcionalmente alto. São pessoas inteligentes sim, mas que também inovam nas descobertas, invenções ou nas mais variadas formas de arte, como uma bela pintura, uma foto surpreendente, um texto criativo.
Uma frase diz que o pior que pode acontecer a um gênio é ser compreendido, isso mesmo, compreendido. Enfim, somente um gênio tem a coragem de não tentar ser agradável com todas as pessoas todo o tempo. Assim eu tenho muito amigos, que são pessoas incompreendidas muitas vezes, ou por não ter um vocabulário que alcance a todos, ou por estar a frente do seu tempo, ou por querer o melhor da melhor forma sempre.
Uma pessoa inteligente sempre é criticada. Criticada por saber responder, por saber dizer sim ou não independente do que é esperado como respostas.
Gênios não são compreendidos por que precisam ser interpretados. Mas sua arte é sutil e muitas vezes valorizada apenas quando feita a passagem, ou seja, quando morrem, assim como aconteceu com grandes ícones da humanidades. Uns não querem ver a inteligência das pessoas por inveja, porque gostariam de saber mais, mas a preguiça mórbida não os deixou aprender; e outros por mera ignorância.
Um dia todas as pessoas que admiro e são consideradas “chatas”, vão ter o respeito de todos e todas mostrando que quem nasceu para brilhar, não é ofuscado por nada e nem ninguém.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Reflexões de férias


Voltando de férias, em um contraste entre ter muito que falar e nada a dizer. É mais ou menos assim nesta confusão filosófica que a gente vai avaliando a vida, observando o mundo ao redor e tendo a certeza que pouco se sabe e do muito que aprenderemos nada será suficiente.
Não tenho muito clara a proposta de como vou passar neste artigo minhas impressões de férias, mas vou tentar fazer um relato sobre o que “apreendi” e que merece ser compartilhado.
Em janeiro viajei para o Norte do Estado com minha família, e ao mesmo tempo em que tinha a expectativa dos meus passeios, lembrava todo o tempo da nossa região, Campanha e Sul, na qual moro desde que nasci. Comecei a lembrar dos assentamentos da reforma agrária logo que avistei, lavouras imensas, de trigo, soja, etc, plantadas, acreditem, há uns 20 centímetros do acostamento do asfalto. Isso mesmo, 20 cm, beirando a estrada, morro acima, morro abaixo, lavouras variadas que expressam um aproveitamento mais que integral da terra, ai pergunto, porque na nossa zona rural só avistamos campos, campos, lá uma vez ou outra uma horta, mas muitos chamados “pequenos produtores”, comprando alface e couve no supermercado.
Logo depois, em uma pausa em Erechim, cidade de pouco mais de 98 mil habitantes lembrei de Bagé e até Pelotas, nossas maiores cidades e fiquei perplexa mais uma vez. A cidade é toda asfaltada, sinalizada, com semáforos modernos e faixa de pedestre, onde ao atravessá-la, o pedestre tem de fato preferência e os veículos respeitam sendo subordinados aos pedestres e não vice-versa, como acontece em Bagé, onde os carros e seus motoristas mal educados quase passam por cima, param em lugares proibidos, estacionam de qualquer jeito, buzinas veementemente além de outras atrocidades. Enfim, nas esquinas há vasos de flores naturais colocados pela prefeitura. Nos canteiros mais e mais colorido, gramas bem cortadas, flores de várias espécies e adivinhem, ninguém furta ou arranca e pisoteia como acontece por nossas bandas.
Mais adiante em Concórdia-SC, mais surpresas. A cidade com pouco mais de 69 mil habitantes (compara-se aqui quase 3 vezes menos que Bagé), também é toda asfaltada com sinaleiras modernas, faixas de pedestre onde se respeitam os pedestres, canteiros floridos e ainda abrigos de ônibus fechados com vidro e lâmpada para iluminar a noite. Gente! imaginem, isso daria certo em Pinheiro Machado ou Candiota? Fala sério! Ia ser motel, ponto de fumo, ou qualquer coisa do gênero. Sem falar nos preços, a cidade não é grande, mas o comércio é desenvolvido e competitivo, com promoções arrasadoras, onde se compra uma toalha de rosto a R$ 3,00 de boa qualidade e uma bermuda infantil do Ben 10 a R$ 7,00. Pergunto mais uma vez? Isso se encontra aqui? Não. Pelo contrário, só vemos comércios com empresário, na sua maioria (nem todos) mercenários, pensando só em lucrar abusivamente em cima da ignorância das pessoas que não conhecem os preços reais dos produtos.
Outra surpresa no posto de combustível. Parei para comprar um produto na loja de conveniência e no meu retorno, o frentista, mesmo sem eu ter consumido nada, nem abastecido, abriu educadamente a porta do carro e disse obrigado. Que mimo gratificante, voltarei naquele posto sempre, porque o processo de conquista de um cliente é constante e não significa exatamente de início o lucro. Ah...o dito frentista era um senhor de idade, cabelos grisalhos, será que aqui um “velho” ainda tem oportunidade?! Muito difícil, são menosprezados, sofrem preconceitos e rejeição e quantos deles vemos no mercado de trabalho?
De tudo isso fica a reflexão de como nossas cidades e mentalidades estão atrasadas. De como a maioria das pessoas daqui não gosta de pegar no pesado e só querem se dá bem. O que adianta falarmos em desenvolvimento regional e empreendimentos se a cabeça continuar na mediocridade e se as pessoas não mudarem a cultura. De que adianta eu falar, você ler e concordar ou descordar, está assim há muito tempo, tão cedo não vai mudar até porque se esperarmos pela política...então, uma andorinha só não faz verão!!!